terça-feira, 22 de janeiro de 2013

EVOLUÇÃO DAS ABORDAGENS TERAPÊUTICAS



Fazendo uma breve resenha das principais abordagens terapêuticas do século XVIII até os nosso dias, poderíamos citar:

Banhos frios (séc. XVIII) – O transtorno psíquico ainda permanecia no limbo do mágico e sobrenatural. A tentativa era de “extrair” os males através das terapêuticas biológicas como sangrias, purgativos e mergulhos em água gelada.

Choque malárico (1917) – Observando que doentes mentais com paralisia geral progressiva (sífilis) apresentavam melhora depois dos piques febris, o médico Wagner Von Jauregg passou a administrar nos pacientes injeções de sangue de doentes de malária. Após 10 crises, a malária era abortada  com quinino. Entre os primeiros doentes tratados, vários morreram devido a utilização de uma estirpe de plasmódio resistente ao quinino.

Choque insulínico (1935) – O médico Manfred Sakell constatou que os estados hipoglicêmicos acompanhados habitualmente  de coma  e ocasionalmente de convulsões tinham um efeito favorável na esquizofrenia. Com injeções diárias de insulina provocavam-se períodos de coma hipoglicêmico, que eram interrompidos pela administração de glicose.

Eletroconvulsoterapia (1939) – Desenvolvida pelo italiano Hugo Cerleti, consiste na aplicação de uma corrente elétrica na região da cabeça. Usada primeiramente no tratamento da esquizofrenia, este procedimento segue sendo utilizado até os nossos dias principalmente no caso de depressão grave.

Lobotomia (1942) – A técnica foi desenvolvida pelo português Egnas Moniz ( o que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1949). Com a cirurgia busca-se  destruir áreas do cérebro responsáveis pelo descontrole dos impulsos agressivos. Em muitos casos a pessoa fica com um déficit de iniciativas e embotamento afetivo.

Clorpromazina (1952) – Inicio do uso de psicofarmacos com eficácia no controle dos sintomas psicóticos (alucinações e delírios), proporcionando uma perspectiva de reintegração dos doentes mentais graves (esquizofrênicos) no seu meio. Utilizada até hoje.

Antidepressivos tricíclicos (década de 50) – Imipramina, amitriptilina e outros foram os primeiros recursos medicamentosos disponíveis para o tratamento dos transtornos depressivos. Entretanto um grupo grande de pessoas com indicação de tratamento antidepressivo, não os tolerava pelos seus efeitos colaterais (visão turva, boca seca , náusea, alterações cardiovasculares, disfunção sexual entre outros). Segue no  arsenal terapêutico.

Fluoxetina (1987) – Ampliou o horizonte de tratamento e pesquisa de novas drogas de Inibição de Recaptação da Serotonina eficazes nos transtornos depressivos e ansiosos. Intitulada inicialmente como a “droga da felicidade”, foi gradualmente sendo identificado melhor as suas possibilidades e limitações. Mas foi um novo divisor de águas no avanço científico das drogas que atuam no sistema serotonérgico. Estima-se que cerca de 35 milhões de pessoas já a utilizaram ao redor do mundo.

Novos agentes antipsicóticos (década de 90)- O surgimento dos ditos antipsicóticos atípicos ( por ex: clozapina, risperidona, olanzapina, quietiapine e ziprazidone) da última década até os nossos dias, representaram um significativo avanço em relação aos antipsicóticos convencionais (por ex: clorpromazina, tioridazida, haloperidol, flufenazine). Já que as novas drogas estão associadas com menor distúrbio motor (efeitos extra-piramidais) e ampliam o seu espectro de eficácia, e o seu uso já se expandiu além do tratamento dos transtornos esquizofrênicos, sendo utilizado nos quadros de demência, transtornos do humor, transtornos de ansiedade, e transtornos do desenvolvimento. Entretanto estas medicações não são uma pílula mágica, pois também podem apresentar efeitos colaterais complicadores, como: ganho de peso, diabete mellitus, hyperprolactemia e prolongamento da onda QTc da função cardíaca.

Abordagens Terapêuticas Atuais em Psiquiatria

Psicoterapia – Inúmeras definições são encontradas na literatura para tentar conceituar esta importante ferramenta no tratamento dos transtornos mentais.  Partindo da etimologia da palavra que é grega, encontramos o somatório de psykh(psiquê) + therapeia (terapia). Portanto fazendo-se uma síntese das diversas definições teríamos: psicoterapia trata de problemas emocionais por meios psicológicos.
 
Psicoterapias de orientação analítica ( também chamada de psicodinâmica) -  Faz parte de um grupo de abordagens psicoterapêuticas baseadas nas teorias psicanalíticas descobertas por Sigmund Freud (final do séc. XIX e inicio do séc. XX) e posteriormente aprimorada e desenvolvida por numerosos pesquisadores, clínicos e teóricos. Baseia-se que o indivíduo tem um processo evolutivo desde o nascimento onde as experiências da pessoa ao longo da vida influencia os padrões de relacionamento atuais e que repercutem no comportamento, emoções e na capacidade de funcionamento global (afetivo, profissional, social, cultural, lazer). Ou seja, as vivências infantis continuam a ser retidas no inconsciente, como memórias, expectativas sobre relacionamentos, crenças sobre nós mesmos e o mundo ao nosso redor. Existem mecanismos de defesa psíquica para controlar sentimentos, conflitos intrapsíquicos,  pensamentos e experiências desconfortáveis, para evitar que  entrem na mente consciente.  

A psicoterapia de orientação analítica é um método de tratamento que ocorre por meio da interação verbal entre paciente e terapeuta num esforço para elucidar forças inconscientes do passado que afetam emoções e ações atuais. É um método que necessita de um sistemática definida por contrato terapêutico e pressupõem uma freqüência regular (geralmente de uma a duas sessões semanais) por um período indeterminado.

Terapia cognitivo-comportamental (TCC) – As técnicas das terapias cognitivo-comportamental (TCC) baseiam-se que as disfunções emocionais surgem de um processamento cognitivo falho, que filtra seletivamente as informações que recebe. O que desenvolveria pensamentos automáticos – pensamentos espontâneos que ocorrem ao longo do dia ou após eventos específicos. O tratamento busca uma forma de ajudar o paciente a tornar consciente o seu funcionamento de pensamento automático e das suposições decorrentes. Durante a sessão ou com “tema de casa” o paciente é encorajado a buscar evidências para apoiar ou refutar as suposições e modificá-lascom base em uma visão mais equilibrada de todas as informações disponíveis. É clássico nos quadros depressivos o “pensamento automático negativo”  onde há uma interpretação distorcida da mente nas respostas de eventos e relacionamento interpessoal. Por exemplo: Maria (20 anos) evita que os rapazes se aproximem dela, porque ela possui uma “crença” de que ela não tem atrativos para manter uma relação, o que a faz se isolar e ter profundos sentimentos de tristeza, pois inevitavelmente ela será rechaçada. O que a leva a pensar que irá ficar só para o resto da vida. Na TCC trabalha-se a distorção do pensamento automático, o que neste caso permitiu que a paciente se sentisse mais esperançosa em relação ao futuro e passou a permitir a aproximação de pretendentes. 

Terapia comportamental – É uma abordagem baseada cientificamente no entendimento  e tratamento dos problemas humanos. Surgiu a partir de experiências laboratoriais do comportamento animal conduzidas no início do século XX , seguindo-se com uma série de pesquisas clínicas. As metas desta terapia são melhorar o funcionamento cotidiano, reduzir o sofrimento emocional, melhorar relacionamentos e maximizar o potencial humano. Originalmente, a ênfase da terapia comportamental era sobre o comportamento manifesto mensurável  e a aplicação de princípios de condicionamento. Ou seja, busca de mudanças comportamentais para o enfretamento das dificuldades do indivíduo. Hoje em dia, ampliou-se o foco, agregando fatores comportamentais ao pensamento e sentimento, com a idéia que todos estes elementos são influenciados pelos princípios fundamentais de aprendizagem. Portanto a terapia comportamental proporcionaria uma reeducação comportamental de funcionamento pessoal. Alguns transtornos psiquiátricos, como os de ansiedade (fobias e obsessões), alimentares (anorexia e bulimia nervosa), adições (alcoolismo e outras drogas) e disfunções sexuais tem indicação para o tratamento com esta técnica.

Psicoterapia breve – Freud  foi um dos primeiros praticantes da psicoterapia breve. Uma revisão dos seus casos iniciais revela que ele tratou muitos pacientes em questão de semanas a meses não de anos.  No presente as psicoterapias psicanalíticas breves são complementadas por outros enfoques de tratamento efetivo com tempo limitado, como a terapia cognitiva de Beck, a psicoterapia existencial de Mann e o tratamento interpessoal da depressão de Klerman. A psicoterapia é concebida por um período  de tempo limitado (número preestabelecido de sessões ou por uma data de termino). As metas são especificamente focalizadas, onde busca-se o foco no “aqui-e-agora”, restaurar o funcionamento psicológico rapidamente, o terapeuta é ativo e diretivo e em alguns casos utiliza-se de tarefas de casa. As pessoas que possam a vir se beneficiar de tal abordagem seriam as que estivessem em sofrimento emocional moderado, desejando o alívio da dor, ter capacidade de entendimento dos seus problemas, ter uma história de pelo menos um relacionamento interpessoal mútuo positivo, ter uma área da vida funcionante (afetivo, social ou profissional), e ser capaz de comprometer com um contrato terapêutico. 

Terapia de casal e familiar – São modalidades  terapêuticas cujo o foco de avaliação e tratamento incide no relacionamento, não no indivíduo. Na  abordagem terapêutica busca-se elementos da história do relacionamento, metas dos indivíduos no relacionamento, mecanismos de manejo que foram malsucedidos, precipitantes  para buscar terapia ( “por que agora?” ou o “que mudou?”).  As terapias de casal e familiar buscam identificar mudanças que possam ter originado sofrimento e disfuncionamento do casal ou grupo familiar, examinando os padrões de comunicação, comportamento e mecanismos de manejo que podem ter sido destrutivos ou não construtivos para responder às mudanças identificadas. A meta da terapia é prover ao casal ou à família novos meios de resposta que sejam mais eficazes e construtivos para o relacionamento. Nem sempre há um fator agudo disfuncional, mas a busca pode ser em função de padrão de comunicação destrutivo de longa duração que foram identificados  ou ficam intoleráveis para o convívio. Por exemplo, um padrão de domínio e submissão num relacionamento conjugal, que gera tensões contínuas e sintomas depressivos por insatisfação e ausência de bem estar.

Terapia de grupo –Busca através da interaçãogrupal propiciar que os indivíduos envolvidos neste tratamento o utilizem como um agente de mudança comportamental, emocional e educativo. Neste tipo de abordagem terapêutica o paciente recria dificuldades características no grupo. As interações no grupo rapidamente expõem padrões de comportamento. O indivíduo se confronta com um comportamento que ele foi incapaz de reconhecer. Há uma tendência que os membros individuais aceitem  melhor a confrontação das disfunções do seu comportamento quando ele vier de múltiplos observadores.  Apoiadores  múltiplos que se solidarizam com a luta do paciente podem tornar confronto mais tolerável e ensejar o enfrentamento de afetos intensos. Alívio por expressar “segredos vergonhosos”. As interações de grupo estimulam respostas e diálogos socialmente apropriados. O grupo oferece modelos alternativos de comportamento. 

Psicofarmacos – A década dos anos 90 trouxe um grande avanço nas chamadas neurociências, que vieram repercutir no avanço e aquisição de novos psicofarmacos  que ampliaram em muito as possibilidades do arsenal terapêutico no tratamento e controle das doenças mentais.  Temos os seguintes grupos básicos de medicações: antidepressivos, antipsicóticos, estabilizadores do humor, agentes antiansiedade, drogas hipnóticas-sedativas e o uso de estimulantes na prática psiquiátrica.

Antidepressivos – Este grupo de medicamentos buscam reverter os sintomas psicológicos (sentimentos de tristeza, desesperança, desamparo, desvalia, culpa e ideação suicida) e dos sintomas neurovegetativos (falta de energia, problemas com a concentração, insônia ou hipersonia, transtorno do apetite – perda de peso ou, menos comum ganho de peso -, interesse e/ou prazer reduzidos em atividades diárias,  sintomas de agitação  e/ou retardo psicomotor, redução da libido e aumento da ansiedade e/ou agitação). Os medicamentos antidepressivos necessitam de um período de cerca de duas semanas para exercer o seu efeito terapêutico, sendo que após é necessário o ajuste de dose que deverá ocorrer até a sexta semana de tratamento. O perfil de beneficio terapêutico se define ao redor do terceiro mês de tratamento. Eles não são euforizantes e não induzem elevação do humor na ausência de um transtorno depressivo. Uma vez estabelecido o ajuste de dose e o beneficio terapêutico, o tratamento deve ser mantido ao mínimo por 6 meses, com acompanhamento médico regular.

Antipsicóticos – São medicamentos utilizados para tratar sintomas psicóticos ( quebra da realidade) em pacientes com esquizofrenia e outras doenças. Os sintomas podem incluir alucinações, delírios, paranóias (mania de perseguição), comportamento bizarro (por ex.: desnudar-se em público), hipervigilância, agitação intensa, ampliação da irritabilidade e déficit de cuidados pessoais.  Tais agentes freqüentemente induzem rapidamente a sedação, porém seus efeitos antipsicóticos específicos podem levar levara até seis semanas em doses terapêuticas para se desenvolver plenamente. Ao contrário, quando um paciente esquizofrênico estável decide interromper a medicação antipsicótica subitamente, pode levar semanas para que os sintomas psicóticos retornem ou para que os pacientes descompensem.

Estabilizadores do humor – São medicamentos com efeitos tanto antimaníacos (euforia, agitação continua, idéias de grandiosidade, gastos excessivos...) como antidepressivos. Eles também podem reduzir fenômenos comportamentais relacionados à instabilidade do humor, como impulsividade e violência episódica. Atualmente se preconiza o uso das seguintes medicações com este efeito: sais de lítio, carbamazepina, acido valpróico e as mais recentes pesquisas vem indicando o benefício do uso do antipsicótico olanzapina nestes quadros. O lítio é conhecido há mais de um século. A partir de 1949 foi introduzido no arsenal medicamentoso como antimaníaco, mas atualmente sua principal importância está na prevenção de recorrências dos transtornos bipolares (flutuações  entre períodos de mania e depressão) do humor. Com o avanço das pesquisas na área das doenças afetivas a partir da década de oitenta, o conhecimento terapêutico evoluiu e substâncias anticonvulsivantes, como carbamazepina, ácido valpróico e mais recentemente o topiramato passaram a ser opções no tratamento deste distúrbio.

Agentes antiansiedade – Tais medicações, também conhecidos como ansiolíticos ou tranqüilizantes menores, são usados para tratar as manifestações multiformes da ansiedade. De alguma forma, todas as drogas utilizadas no tratamento da ansiedade têm propriedades sedativas, porém não aliviam os sintomas simplesmente sedando o paciente ansioso. Algumas pessoas apresentam sintomas de ansiedade (taquicardia, suor intenso, desconforto generalizado, medo, inquietude, tremores...) e outro desenvolvem síndromes (por ex.: pânico).  Tais sintomas podem ser reativos a fatores estressores da vida (ex.: doença na família, dificuldades financeiras), no transcorrer de uma outra doença clínica ou como manifestação de um transtorno psiquiátrico (ex.: ansiedade num quadro depressivo de alteração do humor). Nos casos  em que os sintomas são circunscritos a um evento estressor o uso de um benzodiazepínico (por ex.: diazepam)  por um período breve ( ao redor de 2 semanas) deve auxiliar no controle dos sintomas. Naqueles casos em que há necessidade de uso mais prolongado vem preconizando-se o uso de agentes antidepressivos para auxiliar no tratamento.

Drogas hipnóticas-sedativas – A indicação de tais medicações é muito precisa, devendo ser utilizada nos quadros de insônia transitória ( nos casos em que a pessoa não consegue dormir em resposta a um fator estressor específico – perda, doença, hospitalização, alteração de fuso horário – e  com duração de até 14 dias) ou recorrente. Quando a pessoa tem uma história de cronificação de alteração na sua arquitetura do sono, deve se fazer uma investigação para se identificar a doença subjacente que esta insônia pode ser parte. Não é incomum que muitas pessoas busquem tratamento em virtude do seu distúrbio do sono,. e seja diagnosticado um quadro depressivo. Nestes casos um tratamento adequado da depressão pode a vir a melhorar o padrão de sono. 

O uso de estimulantes – O uso mais comum dos estimulantes (metilfenidato) é no transtorno de déficit de atenção/hiperatividade em crianças e ocasionalmente em adultos. Igualmente se preconiza no tratamento da narcolepsia, um transtorno na qual a pessoa é afligida por “ataques” de sono.  Em alguns casos de transtorno do humor bem como em estados amotivacionais.

Orientação familiar –Toda a doença crônica dificulta a vida do portador e sua relação com a família, e isto naturalmente se desenvolve nos transtornos mentais, agravando-se conforme a gravidade no comprometimento das habilidades sociais do indivíduo. Portanto é muito importante a conscientização do portador da doença para que possa melhor combatê-la, bem como a família deverá ser auxiliada nesta conscientização. A intenção é aliviar o clima tencionas intrafamiliar, pois este pode vir a colaborar nos processos de recaída.. Dentro das atenções a família desenvolve-se uma orientação psicopedagógica com os seguintes objetivos: reduzir o custo da doença ( família bem orientada contribui para reduzir as possibilidades de recaídas e de reinternações); orientação sobre o uso de medicamentos e de atividades da vida diária; ajudar o portador a colaborar no tratamento e definir tarefas para este dentro de suas possibilidades; familiares muito exigentes devem ser orientados a serem mais tolerantes com as limitações que a doença impõem ao portador; familiares ausentes, orientados para serem mais participantes. 

Abordagem psicossocial em instituições -  A evolução da eficácia dos medicamentos psicotrópicos, propiciou um melhor controle dos sintomas agudos (como por ex.: alucinações, idéias delirantes, descontroles agressivos) o que colaborou para uma redução significativa da necessidade de hospitalização dos portadores de doenças mentais graves (como por ex.: esquizofrenia). Entretanto, em determinados momentos de crise, a internação ainda pode ser útil. Nestes casos ela deverá ser breve, evitando-se  hospitalizações maiores que 30 dias, que geralmente é suficiente para controlar os sintomas mais evidentes. A família deve seguir envolvida no tratamento. Em alguns casos ,  nos momentos críticos,  o hospital-dia pode ser uma alternativa à internação hospitalar. Nos casos de portadores de esquizofrenia, onde a doença está controlada, mas no entanto já produziu seqüelas no funcionamento global do indivíduo (por ex.: déficit de auto-cuidados – higiene, alimentação, iniciativa...) e que perderam os seus vínculos familiares, a Pensão Protegida seria a opção, para evitar uma internação por  tempo indeterminado. Um outro tipo de equipamento importante para auxiliar na reabilitação do portador de doença mental grave é a oficina de trabalho protegida, que busca a recuperação das habilidades perdidas e mesmo na aquisição de novas habilidades. Como a desmotivação é uma das características destes quadros mentais graves, este trabalho tenta resgatar a vontade, assim como a convivência como outras pessoas leva à melhora na sociabilidade.    
       
Tratamento integrado – As diversas abordagens mencionadas anteriormente não são excludentes entre si. Em muitos casos está indicado o tratamento integrado, ou seja, incorporar no plano terapêutico abordagens psicoterápicas (individual, casal, família, grupo) associadas com psicofarmacos. 


Calheiros, P., Andretta, I., & Oliveira, M.(2006). Avaliação da Motivação para Mudança nos Comportamentos Adictivos. Temas em Psicologia Clínica. São Paulo: Casa do Psicólogo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A (IMPORTÂNCIA DA) ACTIVIDADE FÍSICA EM DEPENDENTES QUÍMICOS

A actividade física é definida como “todo o movimento do aparelho músculo-esquelético originador de dispêndio energético, incluindo todas as formas de exercício físico e desportivo” (Caspersen et al., 1985, conforme citado por Antunes, 2012).  Para além dos benefícios ao nível esquelético, cardiovascular, muscular, respiratório, doenças coronárias, hipertensão, certos  tipos de cancro, a actividade física promove o bem-estar, o aumento da auto-estima, reduzindo o stress, ansiedade a depressão, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (2000).
 
Para Pate et al. (1995, conforme citado por Antunes, 2012), a actividade física é uma componente importante de um estilo de vida bastante saudável, devido à sua influência em aspectos físicos e mentais. Por igual modo, Pederson (2006, conforme citado por Antunes, 2012), considera que a actividade física pode trazer um bem estar psicológico importante já que modifica a percepção corporal, equilibrando a sensação de auto-controle, favorencendo a interacção entre diversos pares, diminuindo a stress.
 
Por outro lado, e de acordo com os critérios do Manual CID-10, o diagnóstico da dependência química é feito quando 3 ou mais dos seguintes critérios foram vivenciados durante o último ano anterior:
a)    Um desejo forte ou senso de compulsão para consumir a substância;
b)    dificuldades em controlar o comportamento de consumir a substância em termos de início, término ou níveis de consumo;
c)    Estado de abstinência fisiológica, quando o uso da substância cessou ou foi reduzido, como evidenciado por: síndrome de abstinência característica para a substância, ou o uso da mesma substância (ou de uma intimamente relacionada) com a intenção de aliviar ou evitar os sintomas de abstinência;
d)    Evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas;
e)    Abandono progressivo de prazeres alternativos em favor do uso da substância psicoativa: aumento da quantidade de tempo necessário para obter ou tomar a substância ou recuperar-se de seus efeitos;
f)     Persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de conseqüencias manifestamente nocivas, tais como dano ao fígado por consumo excessivo de bebidas alcoólicas, estados de humor depressivos conseqüentes a períodos de consumo excessivo.
 
 
 
O seu processo de recuperação pode ser composto por recaídas e tratamentos, sempre disponibilizados por uma equipa multidisciplinar (Laranjeira, 2010) onde, cada vez mais, são envolvidos os profissionais de Educação Física (Bell, 1987, conforme citado por Antunes, 2012).
 
A actividade física na recuperação de dependentes químicos é uma área que apresenta um investimento crescente surgindo, com isso, um desenvolvimento na literatura através de estudos que relacionam estes dois pontos, tanto no tratamento, como na prevenção (Collingwood, 1991, 1994 e Arranz, 1996, conforme citado por Antunes, 2012).
 
A actividade física pode actuar em diversos factores do tratamento e recuperação de dependentes químicos. Poderá, através, da actividade física, o dependente químico melhorar a auto-estima, condição física, aumentar a imunidade e melhorar a interacção social (Mialick, 2008, conforme citado por Antunes, 2012).
 
Para além de muitos factores envolvidos neste processo, a actividade física tem um papel fundamental na recuperação de dependentes químicos, sendo parte integrante de qualquer tratamento para este problema. Na maior parte dos centros de recuperação é utilizado a prática da actividade física, em conjunto com diversas outras actividades, como grupos de terapia, palestras psico-educativas, programas familiares, prevenção à recaída. 
 
Na fase posterior do internamento (normalmente, identificada por Pós-Tratamento ou After-Care), existem várias ferramentas que podem influenciar o processo de recuperação.
 
Os “7 Magníficos”, uma ferramenta criada de suporte e de ajuda para os elementos que se encontram nas duas fases de tratamento, refere que a actividade física torna-se essencial no tratamento e na recuperação. Para além do benefício físico e mental já referido anteriormente, esta ferramenta refere a importância da actividade no estabelecimento de redes de apoio, estabelecimento e concretização de objectivos e consequentemente aumento da responsabilidade, desenvolvimento de técnicas de socialização, permitindo também a manutenção de actividades prazerosas e preenchimento significativo de um plano semanal, de forma estruturada e organizada.
 
Também ao nível neurobiológico se encontram benefícios da actividade física nesta área, ou seja, estudos apontam que esta actua positivamente nos mecanismos de recompensa cerebrais, local onde as drogas psicoactivas também actuam (Smith et al., 2008ª; Brown, 2012; Lynch, 2010, conforme citado por Antunes, 2012).
 
Por outro lado, Thanos et al. (2010, conforme citado por Antunes, 2012), refere que existe uma relação positiva entre a actividade física em adolescentes e a diminuição da escolha do consumo de cocaína na vida adulta.
 
Divernos estudos de laboratório reforçam esta relação positiva (Smith et al., 2008a; Smith et al., 2008b; Thanos, 2010; Thanos et al., 2010; Cosgrove, 2002; Smith et al., 2011b; Lynch et al., 2011;a Zlebnik et al., 2010 e Zlebnik, 2010, conforme citado por Antunes, 2012).
 
Barbanti et al. (2006, conforme citado por Antunes, 2012) elaborou um estudo que indicava que a actividade física contribui fortemente para o desenvolvimento de habilidades psicológicas e sociais, assim como o aumento da qualidade de vida, em dependentes de cocaína. Pimentel (2008, conforme citado por Antunes, 2012), demonstrou através de um estudo que mulheres dependentes químicas, em tratamento, melhoraram a sua qualidade de sono, auto-imagem e reduziram o stress, com actividade física 2 vezes por semana, ao contrário do grupo que não efectuou nenhum tipo de actividade física. Ainda segundo este autor (2004, conforme citado por Antunes, 2012), a actividade física é fundamental na prevenção, tratamento e reinserção social do dependente químico, sendo os passeios, as práticas corporais e jogos os tipos de actividade física mais indicados para a fase da desintoxicação; por outro lado, desportos individuais e musculação, para a fase do tratamento e, por fim, exercícios aérobicos e desportos colectivos na fase de reinserção social.
 
João Roldão Soares
Dezembro12

REFERÊNCIAS
 

Antunes, C.F. (2012). Actividade Física em Dependentes de Cocaína:

Revisão Literária. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escola de Educação Física.

Laranjeiro, R. & Ribeiro, M. (2010). O Tratamento do Consumidor de Cocaína:

Avaliação Clínica, Psicossocial, Neuropsicológica e de Risco. 2ª Ed. Artes Médica: São Paulo.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

4 REGRAS DA FAMÍLIA ALCOÓLICA

Todas as famílias têm as suas regras de coexistência e convivência, consoante o meio físico e sociocultural em que se inserem.

A família alcoólica apresenta 4 regras de funcionamento (Kritsberg, 1986):

1. A Regra da rigidez - A família alcoólica é inflexível, não adopta mudanças facilmente. Dado que o comportamento do alcoólico é imprevisível, para trazer mais estabilidade à família são impostas regras muito rígidas de comportamento. Crescendo com a regra da rigidez, a criança transporta para o adulto a necessidade de controlo. Os alcoólicos aprenderam que as regras rígidas de comportamento são a forma de controlar situações imprevisíveis.



2. Regra do silêncio - na família alcoólica, muitas vezes, não se pode falar do que está a acontecer na família, quer a nível do comportamento e acções da família, quer a nível dos sentimentos e das emoções. As crianças sabem que não é permitido falar sobre o que ouve ou vê, não podem falar com ninguém sobre o que sentem e vão construindo "muros" à sua volta, isolando-se. Estas crianças têm grandes dificuldades de se expressar para o resto da vida.

3. Regra da negação - A família alcoólica não aceita que há um problema com o álcool. As crianças são ensinadas a ignorar o comportamento do alcoólico e a "fazer de conta" que nada se passa. Há também uma negação dos sentimentos e as crianças não aprendem a expressar honestamente os seus sentimentos.

4. Regra do isolamento - A família alcoólica é um sistema fechado, uma vez que tenta ser auto-suficiente. Há um mito de que ninguém compreende o que se passa na família e de que não se deve confiar em ninguém fora do sistema familiar. À primeira vista, parece que o isolamento da família serve para a manter junta, mas o mito da família, "lá estaremos quando precisares de nós", não é verdadeiro, porque a família alcoólica é incapaz de ser um suporte emocional e quando uma crise surge, não está presente. Os membros individuais da família alcoólica estão isolados uns dos outros e a criança quando cresce continua a isolar-se das outras pessoas.

O uso excessivo de álcool distorce a estrutura e a dinâmica familiares.
Frequentemente a família funciona como um sistema doente, exprimindo sentimentos e comportamentos que favorecem a permanência ou agravamento do problema.

Numa perspectiva sistémica, o uso do álcool é adaptativo, homeostático e com um significado.


ALVES, A. (2003). Alcoolismo Paterno e Comportamento/Rendimento Escolar dos Filhos - Contribuição Para o Seu Estudo: Dissertação de Mestrado em Psiquiatria e Saúde Mental. Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

PERSONALIDADE ALCOÓLICA

Muitos estudos têm sido feitos para avaliar a personalidade do alcoólico. Até ao momento não se conseguiu determinar um perfil característico do alcoólico. Uma revisão da literatura sobre uma eventual personalidade alcoólica, sugere o aparecimento de uma constelação de traços característicos como a dependência, a negação, a depressão, a sociabilidade superficial, a instabilidade emocional, a dúvida, a baixa tolerância à frustração, a impulsividade e a auto-desvalorização, mas não uma personalidade devidamente individualizada. A questão sobre se será o abuso de álcool a levar a estes traços de personalidade ou, se serão eles que conduzem ao consumo excessivo mantém-se inconclusiva.

Alonso Fernandez (1977), num trabalho com MacCord e MacCord, conclui que os alcoólicos têm uma elevada necessidade de dependência mas, simultaneamente, rejeitam o contacto humano e têm dificuldade em se inserir em grupos organizados, apresentando uma conduta aparentemente autónoma. Para Alonso Fernandez (1990), a génese do alcoolismo é a personalidade. Considera que os alcoólicos têm características comuns como a vivência da solidão e a falta de esperança no futuro, contudo, considera que é errado falar de uma personalidade pré-alcoólica (apenas existem crianças
vulneráveis).

jovem1 Alcoolismo na adolescência



Vários estudos longitudinais têm sido realizados com o intuito de identificar características da personalidade que diferenciam os alcoólicos dos não alcoólicos, e identificaram-se factores como a baixa tolerância à tensão, impulsividade, hiperactividade, depressão e baixa auto-estima. Os resultados mais consistentes são os que correlacionam o alcoolismo com comportamentos anti-sociais.

O uso e abuso de álcool é pois um fenómeno complexo, causado pela interacção de diversos factores como a predisposição, a disponibilidade, a publicidade, a pressão social, diferentes estados psicológicos, a modelagem, os efeitos do álcool e as expectativas sobre os seus efeitos.

ALVES, A. (2003). Alcoolismo Paterno e Comportamento/Rendimento Escolar dos Filhos - Contribuição Para o Seu Estudo: Dissertação de Mestrado em Psiquiatria e Saúde Mental. Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

7 MAGNÍFICOS



No campo dos trabalhos relacionados com a Prevenção da Recaída em Alcoólicos e outros Dependentes Químicos há um particularmente famoso que nos fala da importância de se colocar em prática 7 disciplinas durante e após o Tratamento Primário ou Residencial (cuja duração é de, sensivelmente, 12 semanas de internamento). 

Todas estas disciplinas deverão ser realizadas e trabalhadas, principalmente, durante os dois primeiros anos após o início do Tratamento.

Sendo assim, a 1º disciplina para os pacientes investirem, é a ida regular e o investimento nas Reuniões de Nárcóticos Anónimos (NA) e Alcoólicos Anónimos (AA) (importância já referida neste espaço). Como sabemos este Modelo de Tratamento (Minnesota) nasce e desenvolve-se com os princípios e fundamentos dos AA, ficando claro a importância dos pacientes continuarem (porque os 1ºs contactos são em Tratamento Primário) a investir, com idas frequentes a estas Reuniões. 


Como complemento destes encontros, e também para se trabalhar outras áreas que não a da dependência, a Ajuda Profissional é, sem dúvida, necessária e sugerida. Quando se fala nesta ajuda, estamos a falar de um Psicólogo, Psiquiatra, Conselheiro em Adicção, ou outro tipo de profissional que possa ajudar o paciente nos seus campos mais limitados. A literatura fala de um apoio individual ou, até mesmo, de grupo. 



Por outro lado, a importância de uma Alimentação Equilibrada. Muitos dependentes referem sentir-se melhor se efectuarem pelo menos 3 refeições diárias e, dando importância a alterações significativas de hábitos auto-destrutivos, juntamente com os familiares (comunicação, horários, rotinas, etc.) Ainda em relação a este ponto, esta alimentação equilibrada está relacionada com o equilíbrio ao nível do consumo de café e tabaco. 

Juntamente com a  importância de uma alimentação saudável, é sugerido a prática de Exercício Físico. Não apenas nos benefícios físicos e mentais, mas no equilíbrio da organização do dia, na inserção de um grupo saudável e estável, assim como a concretização de objectivos. Este hábito regular de exercício vai, também, ajudar numa melhor forma de gerir e lidar com o stress ou com situações que possam gerar alguma ansiedade, já que a Gestão do Stress é, igualmente, uma das ferramentas importantes no processo Pós-Tratamento. Situações desfavoráveis que causam sentimentos e emoções difíceis de lidar são uma das maiores causas das recaídas. Deste modo, encontrar soluções favoráveis para gerir melhor o stress, torna-se fundamental (de facto, todas as outras disciplinas referidas anteriormente, acabam por ser uma resposta adequada a esta questão). 

Por úlimo, Desenvolvimento de um Programa Espiritual e o Investimento em Inventários de Manhã e à Noite. Os primeiros, ao contrário do que o nome possa sugerir, não estão relacionados com aspectos religiosos, mas sim a práticos, de valores, regras e mudança. A quebra de regras, compromissos, promessas, assim como a perda de valores morais, são consequências de quem sofre de qualquer dependência. Assim, o continuar a trabalhar todas estas mudanças, torna-se um factor principal para quem quer continuar em Recuperação. 

Por outro lado, estar consciente da realidade, isto é, reflectir sobre o planeamento diário, os objectivos cumpridos, expectativas alcançadas, assim como problemas a resolver, dificuldades para lidar, através de um investimento em inventariar o dia, duas vezes diariamente (de manhã e à noite), é a última disciplina que, este trabalho no campo das Prevenções à Recaída, dá destaque.

OXI E KOAKSIL



Nos últimos meses, têm surgido imensas notícias sobre o aparecimento de novas drogas sintéticas, das quais a OXI parece, de acordo com alguns dados ultimamente anunciados, como uma das mais potentes e devastadoras. Estudos no Brasil, efectuados com profissionais de Saúde e de Química, estão a ser avançados com o objectivo de se compreender melhor as suas características. Para já, sabe-se, apenas, que a OXI é uma versão mais perigosa da cocaína e do chamado “crack”. 

O princípio activo da OXI é a pasta base da folha de coca, mas ao contrário do “crack”, onde é utilizado bicarbonato de sódio e amoníaco, na OXI é utilizado cal virgem e algum combústivel, como gasolina ou querosene, também designado por petróleo iluminante, componentes corrosivos e extremamente danosos para o organismo. Esta nova droga é produzida na Bolívia e no Perú e começou a entrar no Brasil em 2005.


oxi (Foto: oxi)



Os efeitos dos consumos imediatos chegam ao cérebro entre a 7 e 9 segundos, acelerando o metabolismo, causando sensações de euforia, depressão, medo e paranóia. Contrariamente à cocaina, os efeitos duram pouco tempo, no máximo, 10 minutos, o que “obriga” o consumidor a inalar repetidamente a OXI para manter as sensações, aumentando, assim, as agressões ao organismo. Por outro lado, os componentes adicionais, como a cal virgem e combustível, tornam a Oxi altamente letal para os consumidores, assim como a quantidade do princípio activo da cocaína, que neste caso é de cerca de 80%, contrariamente ao “crack”, que é cerca de 40%.
Ao fumar a OXI, o consumidor envia querosene e cal virgem para o pulmão, provocando queimaduras que levam o órgão à falência. De igual modo, o aumento da pressão arterial, alto risco de enfarte e acidente vascular cerebral. A longo prazo, o cérebro é afectado, sofrendo perda da memória e diminuição da capacidade de concentração e de raciocínio.

Uma outra nova droga que está a provocar diversas mortes entre consumidores mais jovens, nomeadamente na Rússia, é a chamada KOAKSIL, uma espécie de morfina “suja”. Estes jovens não vivem mais do que 2 ou 3 anos e o número muito reduzido dos que conseguem sobreviver, ficam totalmente desfigurados. O seu componente activo é a codeína, um analgésico, que é misturado com ingredientes como gasolina, tintas ou diluentes, ácido clorídrico, iodo e fósforos vermelhos. Estes consumos deixam a pele do consumidor esverdeada e escamosa no local das injecções e, após alguns dias, os vasos sanguínios lilatam ao ponto de rebentarem. Há o aparecimento de grangrena e as amputações são a única solução. Por outro lado, o tecido ósseo poroso começa a dissipar, devido à acidez da droga. 

Semelhante ao caso da OXI, existe ainda pouca informação sobre a KOAKSIL, assim como estudos científicamente comprovados, contudo, através da Internet é possível recolher bastante informação.